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Constante

Às vezes lembro das minhas aulas de matemática do ensino médio. Especificamente aulas de geometria espacial e probabilidade e estatística. Nunca achei que a comunicação tivesse tanta matemática como realmente tem. Nem o amor. 
David tinha abastecido o carro, e estava tentando descobrir quantos litros tinha dado em um litro. Achei que os engenheiros não precisassem de calculadoras: ledo engano. Outro engano também foi achar que engenheiros sabiam trocar torneira... Não aprendem isso na faculdade! 
Nunca gostei dessa raça exata, sabe? Esses seres dotados de capacidades estranhas com números, formas e padrões. Ai que agonia! Mas logo eu, uma aquarela, fui me misturar com essa gente. E descobri que são tragáveis. 
Acho que David é excessão, porque nunca entendi como engenheiros podem ser tão calmos. Deve ser porque ele vive no mundo da Lua, cercado por nuvens e aviões. Gente grande, que sonha alto e mora na rua do Ouro. Uma peça brilhante e valiosa no meio da poeira constante da vida. Peça que nem precisou ser tão garimpada - e eu me surpreendo com isso. 

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